PUBLICIDADEwww.festivaldeinvernochapada
Internacional

Governo dos eua critica brasil por suposta falha contra pcc e cv

Washington aponta facções brasileiras como ameaça global em relatório enviado ao congresso norte-americano.

Por REDAÇÃO | 17/09/2026 17:12

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, direcionou críticas severas à postura do governo brasileiro no combate às organizações criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV), apontando falhas na contenção dessas facções. As declarações vieram a público por meio de um relatório oficial enviado ao Congresso norte-americano na última terça-feira (15), documento que avalia a atuação de diferentes nações e lista os territórios centrais no tráfego ou na fabricação de entorpecentes para o ano fiscal de 2027.

Críticas e alertas de Washington

No relatório, o mandatário norte-americano argumenta que, enquanto “muitos governos do Hemisfério Ocidental” adotaram “medidas corajosas” para reduzir os fluxos de drogas e erradicar os cartéis, “o governo do Brasil não conseguiu enfrentar as organizações terroristas estrangeiras designadas Primeiro Comando da Capital e Comando Vermelho, que transformaram o Brasil em um centro para os globais de cocaína”.

O texto também reforça o perigo representado por esses grupos além das fronteiras sul-americanas. “Essas organizações terroristas brasileiras constituem uma ameaça crescente à paz e à segurança em todo o mundo, e o governo brasileiro precisa urgentemente adotar medidas agressivas para enfrentá-las e derrotá-las antes que se espalhem e cresçam”, acrescentou o mandatário norte-americano.

A postura de Washington em relação aos grupos criminosos ganhou força em maio, quando o Departamento de Estado americano oficializou a classificação do PCC e do CV como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO). A medida passou a valer no início de junho, amparada pela legislação de imigração dos EUA e por ordens executivas da presidência. Na ocasião da medida, o secretário de Estado, Marco Rubio, classificou as facções entre as mais violentas do país e ressaltou que a designação amplia os instrumentos para a aplicação de sanções internacionais. Apesar da pressão diplomática, o Brasil não figura na lista de nações que falharam de maneira demonstrável no combate internacional às drogas, tampouco entre os principais produtores e corredores de trânsito de entorpecentes ilícitos.

PUBLICIDADE

A resposta do governo brasileiro

Em nota oficial emitida pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), o governo brasileiro refutou veementemente as acusações de omissão no combate ao crime organizado transnacional.

“A posição estampada na referida nota desconsideraria, se acolhida em todos os seus termos, os esforços do Governo Federal no enfrentamento ao crime organizado, como a Lei Antifacção, sancionada em março de 2026, que prevê penas mais severas para líderes de facções e cria mecanismos que asfixiam suas operações”, diz o texto.

A pasta destacou ainda que o posicionamento dos EUA ignora “as dezenas de milhares de operações” executadas por agências federais, “com bilhões de reais de prejuízo aos criminosos, bem como as múltiplas ações implementadas em 2026 no âmbito do Programa Brasil contra o Crime Organizado, lançado em maio último, que sufoca economicamente as facções, fortalece o sistema prisional, qualifica a investigação de homicídios e enfrenta o tráfico de armas”.

O governo nacional ressaltou também a existência de uma “robusta cooperação já existente” entre os dois países e lembrou de uma proposta apresentada pelo presidente Lula em maio, em Washington, com foco em inteligência conjunta e desarticulação financeira de criminosos, aguardando um posicionamento oficial da Casa Branca.

Outros alvos do documento

Enquanto o Brasil foi alvo de reprimendas, o documento norte-americano adotou um tom elogioso em relação a nações governadas por lideranças aliadas, citando nominalmente administrações de países como Argentina, Equador e El Salvador. Mudanças recentes de governo na Bolívia, Colômbia e Peru também foram avaliadas de forma positiva por Washington no contexto da segurança pública.

Por outro lado, vizinhos norte-americanos como México e Canadá receberam cobranças duras sobre o controle fronteiriço e o tráfico de substâncias químicas. “Embora meu governo tenha protegido com sucesso nossas fronteiras contra a invasão, Canadá e México precisam fazer muito mais para interromper os fluxos de drogas mortais para nosso país. O fentanil continua sendo produzido ilegalmente em laboratórios clandestinos no Canadá, e produtos químicos precursores e drogas sintéticas continuam entrando nos Estados Unidos através do Canadá”, apontou.

No caso do México, a exigência foi por ações enérgicas “contra as organizações narcoterroristas que dominam vastas áreas de seu território e continuam ameaçando o povo americano”. “O México precisa reforçar a integridade de sua cadeia de fornecimento, buscando maior participação do setor privado e aumentando significativamente as inspeções em seus pontos de entrada”.

A China, principal concorrente geopolítico dos EUA, também foi mencionada como a maior fonte global de precursores químicos utilizados na fabricação ilícita de fentanil e outras drogas sintéticas. “Tratei diretamente desse assunto com o presidente do Estado, Xi Jinping, e, no ano passado, a pedido do meu governo, a China implementou novas exigências para que suas empresas obtenham licenças antes de exportar determinados produtos químicos precursores para a América do Norte. No entanto, criminosos continuam encontrando maneiras de contornar esses controles por meio do uso de produtos químicos precursores não regulamentados”, pontuou o líder americano, exigindo posturas mais rígidas de Pequim.

Mais notícias

Ver todas
Rádio Cuiabana FM 106.5
Rádio parceira