O Ministério das Relações Exteriores detalhou nesta quarta-feira a viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva aos Estados Unidos para a 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, marcada para a próxima semana em Nova York. Entre os pontos de destaque da missão internacional está a possibilidade de uma agenda entre o chefe do Executivo brasileiro e o prefeito da metrópole norte-americana.
Expectativa de encontro com Zohran Mamdani
A cidade de Nova York é atualmente administrada por Zohran Mamdani, que assumiu o cargo no início deste ano como o primeiro prefeito muçulmano da história local. Descendente de imigrantes e adepto de pautas progressistas, o gestor defende bandeiras como a expansão de moradias populares, o congelamento de aluguéis e a gratuidade nos transportes. De acordo com o Palácio Itamaraty, há uma solicitação oficial da prefeitura novaiorquina para uma reunião bilateral, embora o lado brasileiro ainda não tenha confirmado o encontro na agenda oficial.
Agenda oficial e discurso na ONU
A comitiva presidencial aterrissa em solo norte-americano no próximo domingo. Na segunda-feira, o cronograma será dedicado exclusivamente a conversas reservadas com chefes de Estado e outras autoridades estrangeiras.
Já na terça-feira, o presidente brasileiro se reunirá com o secretário-geral da ONU, António Guterres, antes de subir ao plenário para o tradicional pronunciamento de abertura do evento global. O tema central debatido neste ano será “Restaurando a confiança, administrando transformações: uma ONU que produza resultados para todos”.
Foco no multilateralismo e paz internacional
Embora o texto final ainda esteja em fase de elaboração, a expectativa é que o pronunciamento aborde pilares tradicionais da diplomacia brasileira, com ênfase na reforma do sistema da ONU, no combate à fome e na cooperação internacional.
“Nossa expectativa é que ele [discurso] contenha, em função do momento em que vivemos, uma defesa forte do multilateralismo como linha básica da política externa brasileira, nesse momento em que os conflitos se multiplicam a nível internacional”, destacou o embaixador Carlos Márcio Bicalho Cozendey, secretário de Assuntos Multilaterais Políticos do MRE.
Conforme explicou o diplomata, a fala presidencial também pontuará a necessidade de saídas pacíficas para os conflitos armados atuais, o respeito ao direito internacional humanitário e a soberania dos Estados. O retorno do presidente ao Brasil está programado para ocorrer logo após a conclusão de seu discurso na terça-feira.
Bastidores com lideranças globais
O Itamaraty pontuou que não há confirmação sobre uma eventual reunião entre Lula e o presidente norte-americano. Como o líder dos EUA discursa logo após o representante brasileiro, existe a possibilidade de um encontro informal nos bastidores do plenário, semelhante ao ocorrido no ano passado.
Para esta viagem, a delegação do Brasil contará com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, além dos ministros Esther Dweck, Eloy Terena e Rachel Barros de Oliveira. Paralelamente aos debates da Assembleia Geral, o chanceler brasileiro comandará um encontro da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, projeto articulado inicialmente durante a passagem do Brasil pela presidência do G20 e que já contabiliza mais de 215 integrantes ao redor do mundo.







