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Direitos Humanos

Insegurança e violência limitam rotina de 98% das mulheres no Brasil

Levantamento nacional inédito detalha como o medo afeta escolhas de lazer, trabalho, mobilidade e o voto feminino nas cidades.

Por REDAÇÃO | 17/09/2026 17:05

A sensação constante de insegurança e o medo da violência alteram o cotidiano e restringem as escolhas de 98% das mulheres brasileiras. Os dados alarmantes apontam ainda que 78% da população feminina no país já relata ter sofrido algum tipo de agressão ao longo da vida, com reflexos diretos na mobilidade urbana, nas decisões profissionais e nas opções de lazer.

O impacto da violência nos espaços urbanos Os resultados detalhados fazem parte do levantamento inédito Segurança das Mulheres: Percepção da Sociedade Brasileira sobre Violência, desenvolvido em parceria pelos institutos Patrícia Galvão e Locomotiva, com o apoio da Uber. O estudo completo foi divulgado publicamente durante o 20º Encontro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Para mapear esse cenário, o estudo coletou a opinião de 1,5 mil pessoas com 16 anos ou mais, contemplando todas as regiões brasileiras entre o final de abril. O nível de vulnerabilidade percebida é discrepante entre os gêneros: enquanto 94% das mulheres admitem medo generalizado no dia a dia, o índice entre os homens fica em 84%. Nos trajetos urbanos, o temor atinge 94% delas e 90% deles.

“A pesquisa mostra que o medo da violência atravessa a forma como as mulheres vivem e circulam pelas cidades. E esse medo não surge do nada, ele é alimentado por experiências concretas de violência, vividas pelas próprias mulheres ou compartilhadas por outras ao redor”, afirma a diretora de Pesquisa do Instituto Locomotiva, Maíra Saruê.

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Renúncias diárias e restrições de mobilidade Para tentar escapar de situações de risco, o universo feminino brasileiro incorporou uma série de comportamentos defensivos. Entre as principais estratégias adotadas por 90% das entrevistadas está o ato de evitar locais específicos considerados perigosos. Outras barreiras incluem não expor localização em redes sociais (88%), abolir o uso do celular nas ruas (84%) e abolir saídas noturnas (83%).

Os reflexos negativos também alcançam o mercado de trabalho e a educação: 45% das mulheres afirmam abertamente que já perderam oportunidades profissionais ou acadêmicas temendo pela própria integridade física. Além disso, 44% já consideraram a possibilidade de mudar de endereço para buscar mais tranquilidade.

“Os dados desta pesquisa confirmam algo que já vínhamos observando em nosso trabalho cotidiano: a insegurança deixou de ser uma percepção pontual e se transformou numa rotina de cálculos e renúncias silenciosas, em que quase todas as mulheres brasileiras precisam evitar lugares, mudar trajetos, abrir mão do lazer ou reconsiderar até uma oportunidade de trabalho por medo da violência”, ressaltou a diretora executiva do Instituto Patrícia Galvão, Vera Vieira.

Cobrança por políticas públicas e impacto eleitoral No campo político, o estudo demonstra que a pauta influenciará diretamente o cenário eleitoral. Para 78% das participantes, as propostas apresentadas por candidatos com foco no combate à violência urbana e nos meios de transporte serão decisivas na hora de definir o voto nas próximas eleições.

Apesar da alta cobrança sobre as esferas de poder, a avaliação popular sobre o trabalho das instituições no combate à criminalidade é majoritariamente desfavorável. O Legislativo lidera a insatisfação com 74% de reprovação, seguido pelos governos estaduais (72%), Judiciário (71%) e governo federal (71%).

Para reverter esse quadro, a população feminina defende investimentos urgentes em infraestrutura urbana e ampliação de redes de apoio. A necessidade de novos canais de denúncia é endossada por 95% das entrevistadas, enquanto 93% destacam a urgência de melhorias na iluminação pública e nos sistemas de transporte coletivo.

Para Vera Vieira, os resultados da pesquisa mostram que a segurança das mulheres não é uma pauta setorial, mas uma condição para o exercício pleno da cidadania. “Por isso, reforçamos a urgência de políticas públicas que ampliem os canais de denúncia, melhorem a infraestrutura das cidades e enfrentem as desigualdades que sustentam esse cenário”, acrescentou.

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