Conteúdo/ODOC – O coronel reformado do Exército Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas negou ter financiado a morte do advogado Roberto Zampieri e afirmou estar sendo “injustiçado” no processo. Ele prestou depoimento no final da tarde desta quarta-feira (30), durante o segundo dia do Tribunal do Júri de Cuiabá. O julgamento foi suspenso após o depoimento e será retomada nesta quinta-feira (1).
Além dele, também estão sendo julgado Antônio Gomes da Silva, que confessou ter matado Zampieri, e Hedilerson Fialho Martins Barbos, apontado como intermediário do crime.
O coronel disse que não conhecia Zampieri e alegou não ter motivos para financiar sua execução. “Não tenho necessidade para isso. Tenho uma carreira inteira no Exército. Tenho 70 anos, estou aqui cheio de comorbidade, cheio de problemas.Estou sendo injustiçado e altamente lesado”, declarou.
Caçadini também insinuou que seu nome teria sido colocado no processo para sustentar uma versão sobre o assassinato. “Para mim, alguma coisa está acontecendo, que seja compra ou ameaça, para colocar meu nome nesse processo. Começaram a construir uma narrativa”, disse.
O coronel afirmou que conheceu Hedilerson por meio da Frente Ampla Patriótica (FAP) e, posteriormente, foi apresentado a Antônio, a quem teria contratado para realizar uma obra por R$ 40 mil.
Sobre Aníbal Manoel Laurindo, apontado como mandante do crime, o coronel afirmou que ele participava da FAP, mas negou ter conversado com ele sobre Zampieri. “Nunca mencionou sobre Zampieri”, disse.
Dinheiro e fotos
O Ministério Público questionou Caçadini sobre um depósito de R$ 60 mil identificado durante as investigações. Ele afirmou que o dinheiro seria usado para comprar uma caminhonete em Cuiabá e que decidiu depositá-lo após o negócio não se concretizar.
O coronel ainda foi questionado sobre fotos de Zampieri, da fachada do escritório do advogado e de uma certidão de óbito encontradas em seu celular.
Caçadini disse não saber como os arquivos chegaram ao aparelho e alegou que poderiam ter sido baixados automaticamente em grupos de mensagens. “Pode ter certeza que tem coisas no meu celular que não sei de onde vieram”, afirmou.
O crime
Roberto Zampieri foi assassinado com dez tiros em 5 de dezembro de 2023, dentro de seu veículo, no bairro Bosque da Saúde, em Cuiabá.
Antônio Gomes confessou ter efetuado os disparos. Hedilerson é acusado de participar da execução do plano, enquanto Caçadini responde por supostamente ter financiado o homicídio.
Aníbal Manoel Laurindo e Elenice Ballarotti Laurindo, apontados como mandantes, respondem em processo separado.








